sábado, 11 de dezembro de 2010

Voltando a ativa... e com muito gás (falando sobre telemarketing)


pppBom, essa deve ser a quinta ou sexta vez que eu começo um blog e o deixo pela metade, devo confessar. O que sempre acontece é que eu fico sem tempo ou sem internet por algum motivo. Desta vez, foi a segunda opção. A internet que possuo em casa é a wireless, e não sei se isso é ou não uma características desse tipo de conexão sem fio, mas o que acontece é que ela sempre some e fica dias, semanas, às vezes até meses sem funcionar. É claro que você deve estar pensando: "Uau, mas você não toma nenhuma atitude com relação a isso?" Não vou dizer que sou das pessoas mais acaloradas para resolver esse tipo de situação, mas tentar já tentei e não consegui... O que ocorre é que o suporte a banda larga de minha operadora é péssimo. E acredito que não só a minha, mas de todas as operadoras disponíveis em território nacional. Só que o problema não é só com o serviço de internet, que também é uma mer** (com o perdão da palavra), mas também a única pessoa disponível para te ajudar nessas horas de falha: o operador de telemarketing. Ajudar vírgula, porque nos call centers a desinformação com relação ao serviço é tanta, mas tanta, que a chance de você resolver o seu problema na primeira vez que ligar é menor do que 50%. Tudo depende de sorte: de você cair com um operador que realmente está lá pra trabalhar (que corresponde a mais ou menos 20% dos contratados) e desse mesmo operador ter o conhecimento necessário para resolver o seu problema (pois é, a probabilidade cai para uns 10% ou menos).
pppO que quero dizer com isso é que aqui no Brasil todos os problemas referentes a telefonia e internet, que precisam de um suporte via telefone, são dificilmente resolvidos por esse mesmo meio. Mas a culpa disso não é do operador de telemarketing que não quer trabalhar, como a maioria das pessoas pensam. A culpa é das condições de trabalho que esse operador tem que enfrentar no dia-a-dia profissional. Primeiro, a desvalorização deste tipo de emprego, que é visto pelas pessoas como última opção empregatícia, elas acham que uma pessoa só trabalha nisso porque não é qualificada para outros tipos de emprego (vejam bem, não estou dizendo que não é verdade); segundo, o salário baixíssimo, como se não bastasse geralmente ser um salário mínimo, quando o mesmo sofre reajuste nacional, o salário do operador de telemarkentig é o último a ser reajustado (demora meses depois do reajuste); terceiro, a falta de educação e o jeito presunçoso do brasileiro que faz esse tipo de profissional ter de aguentar desaforos e xingamentos todos os dias, muitas vezes causando depressão e problemas psicológicos; e por último, não basta o próprio trabalho ser cansativo, a própria estrutura das empresas de call center contribuem para a fadiga do profissional: o ar-condicionado que sempre está ligado em temperatura muita baixa devido aos computadores ligados, o que faz grande parte deles terem constantemente inflamação na garganta, crise de sinusite, gripe e problemas respiratórios em geral; o uso diário do headset que gera dores de ouvido, inflamação e às vezes calo atrás das orelhas; o uso direto do computador, que causa problemas na visão, nas articulações dos dedos, nos músculos, nos braços, na coluna... Enfim o número de doenças e incômodos que o operador de telemarketing pode ter são inúmeros. E mesmo assim, ele tem que estar sempre alegre e bem disposto a atender o pior tipo de cliente: o grosso, o mal educado, o egoísta, o dono da razão etc ppppppppppppppppppppppAgora a pergunta que não quer calar é: Como as empresas querem que esse profissional preste um atendimento de qualidade se todos os dias ele tem que encarar essas condições? Não vejo uma resposta clara e justa. Fico pensando uma forma de solucionar o problema, mas não vejo outra senão revolucionar o suporte pós-venda. Não adianta a Anatel (órgão responsável pelos serviços de telecomunicações) aplicar leis mais rígidas às empresas de telefonia porque isso só faz com que a pressão sobre os operadores seja maior, o que causa maior queda na qualidade do atendimento. O que é preciso melhorar são as condições desse trabalhador.
pppUm profissional mais feliz é aquele que vai querer prestar um atendimento de qualidade, o que não é o caso atualmente. Se você ganha mal, tem um trabalho cansativo, vive ouvindo desaforos que mexe com o seu psicológico, como vai conseguir gostar do que faz e fazer um bom trabalho? Uma vez eu li em um texto que agente não deve fazer o que gosta, mas sim gostar do que faz. Não cabe a mim julgar se isso é verdade ou não, mas o que posso dizer é o seguinte: pra gostar do que faz você tem que ter um emprego que te respeita (no sentido de que não te deixa exposto a tantos riscos e ainda te exige que trabalhe bem). Não é o caso do telemarkenting.


Obs: Sim, eu já fui operadora. Nunca saí de um lugar tão aliviada. Foi um adeus a dores de cabeça e ao estresse diário.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Eleições: A importância do voto nulo


dddHoje neste tópico eu gostaria de falar sobre algo que faz muita diferença em nossas vidas do jeito que ela é estruturada atualmente, através de uma forma de governo republicana. E digo republicana apenas, e não democrática, porque democracia não existe neste país de manipulações e lavagens cerebrais políticas. No entanto, o meu foco principal não é como o país é governado. Na verdade quero falar sobre uma opção em nosso sistema eleitoral, que é a opção de votar nulo. A maioria dos brasileiros nem sabem as implicações de um tipo de voto como esse, assim acreditando que votar em qualquer candidato (às vezes, caracterizados como "o menos pior"), é melhor do que votar nulo, pois nesse caso estariam desperdiçando voto. Na realidade, não é bem assim. O voto nulo significa que você, cidadão, não aprova nenhum dos candidatos disponíveis para se elegerem e exige uma nova eleição com outros candidatos em que você possa votar. Se não me engano, a lei diz que se uma quantidade igual ou superior a 50% dos eleitores votarem nulo, as eleições são canceladas e é obrigatório que se providencie outra eleição dentro de um período específico. E vejam bem, NULO não é a mesma coisa que BRANCO. O voto em branco vai para o candidato que houver ganhado o último turno, na minha opinião até, é dizer que simplesmente não liga para quem for governar o país, qualquer um que estiver na frente serve. Ao contrário do voto nulo, porque nele você diz que não aprova os candidatos disponíveis e muito menos quer ser liderado por algum deles. É mostrar a sua INCONFORMIDADE com a política brasileira, exigindo o seu direito de escolher o melhor para este país. Estou dizendo isto porque vejo que há várias pessoas que estão bastante insatisfeitas com os candidatos que tentarão se eleger este ano, e peço para que essas pessoas não façam igual a grande parte das pessoas que estão na mesma situação e votem em qualquer candidato ou em um candidato que sabem que não tem chances de ganhar, mas sim digitem 00 na urna e mostrem a sua insatisfação na prática. Votar em alguém em que você não acredita é CONFORMISMO, isso sim é desperdiçar voto. Acreditar que votar nulo não vai fazer nenhuma diferença é a mesma coisa de acreditar que o seu voto não vale nada diante de todos os eleitores do Brasil. A verdade não é essa, e sabemos bem isto. Caso contrário, não haveria tantas discussões em torno de quem devemos votar. Se todos nós mostrarmos nossa desaprovação, talvez haja alguma diferença. É no que eu acredito. Salientando que, isto que estou escrevendo é apenas uma informação para quem NÃO TEM em quem votar este ano. Se você tem algum candidato, só peço para que pesquise sobre a vida política dele, sobre seus feitos etc E seja feliz em sua escolha. Cada um tem a sua opinião sobre os candidatos e todos devemos respeitá-la.
Novamente, é nisto que eu acredito.
E vocês em que acreditam?


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Mais um ano que vem...

E outro que vai embora.
Como estamos agora?
Como vai nossos sonhos, nossa vida, nossa saúde??
Como podemos mudar sem atitude?

Nesse novo ano quero amor
Quero paz, harmonia e tranquilidade
Que nossas vidas melhorem,
Que matemos nossas saudades
Que tenhamos o que comemorar
Que tenhamos alegria
Superemos as lágrimas que irão jorrar
Que prevaleça a harmonia
Que cultivemos a bondade

E sejamos felizes do jeito que somos.
d
d



sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Eu sou o tempo



Ao tempo que tudo insiste e amola

As piores traças, um rápido tecer

De linhas e pinturas simplórias

Retrata a vida de um ínfimo ser


Nas mãos, marcas da mais pura verdade

O corpo denuncia traços de imperfeição

No todo, o que é belo em sua infinidade

Nos pés, a trajetória perfeita da razão


O que digo aqui não pode ser apenas visto

Como débeis mentiras, maiores desgraças

Porque até o sentimento mais nobre confisco


Ao tempo irredento que julga e passa

No mais belo pôr-do-sol ou no último suspiro

Que nem a vida, nem o homem e nem a morte escapa


E nem a velha esperança no infinito

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Sabe quando você está...



nnnnnCom aquele estúpido desejo de morrer? Com a sensação do fracasso, da derrota? Você sabe que vai passar... Que amanhã será um outo dia, que virá outras oportunidades. Mas também sabe que essa perda ficará marcada na sua mente até... sempre. Falhar consigo mesmo, quando não precisa dar satisfações pra ninugém, quando aquilo não irá atingir a ninguém, é bem mais fácil. Porém, como é quando se falha com todos? Quando se cai, na hora em que todos achavam que você estaria no topo? Quando vê que aquele seu projeto que parecia tão real que você quase o tocava, não será mais possível? Como é isso? Como é... Quando essas coisas acontecem, é difícil continuar sendo uma pessoa como eu, que acredita no destino. Que acredita que possa ter um motivo pelo qual isso aconteceu. Mas eu não posso deixar de acreditar que por trás de cada folha que cai tem uma razão para que ela caia! Se não há uma razão para a minha existência, por que eu existo? A única coisa que consigo sentir agora é a insignificância de minha vida. Sei lá. Sou importante para algumas pessoas. Mas o que eu represento para o mundo? Nada. É uma visão pessimista, eu sei. Mas é a única coisa que consigo sentir agora. Definitivamente.

Esses dias estavam maravilhosos. Estavam.
nnnnnnnnnn
Músicas para se ouvir: Until it Sleeps - Metallica
nnnnnnnnnnnnnnnnnnnnThe unnamed feeling - Metallica
nnnnnnnnnnnnnnnnnnnnFade to black - Metallica
nnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
Until it sleeps - nnnnnnnnnnnn"Where do I take this pain mine?
I run but it stays right by my side"
nnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
The unnamed feeling - nn" It comes alive, it comes alive, it comes alive
And I die a little more, It comes alive, it comes alive,
each moment here I die a little more...
I die... I die... I die little more...
The unnamed feeling
Comes alive
The unnamed feeling
Takes me away"
nnnnnnnnnnnnnnnnn
Fade to black -nnnnnnnnnnnnnnnn "Emptiness is filling me
To the point of agony
Growing darkness taking dawn
I was me, but now he's gone"

Apenas um pensamento

O mundo tem muito mais mistérios do que é capaz um homem entender.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Tecnologia x Ética



dngdgngEm 1938, foi descoberto o processo de fissão nuclear. Muito bem. Em 1969, durante a Guerra Fria, aconteceu a primeira ida do homem a Lua. Ótimo. Ano passado, todos vimos as pesquisas com células-tronco serem aprovadas pelo Congresso brasileiro. Até aí, maravilha. Mas claro, todos sabemos que a ciência nunca pára e nem descansa. Mesmo porque, este mundo em que vivemos nunca pára de nos surpreender com todas as suas possibilidades. É como aquele velho e abatido raciocínio sofista: “quanto mais queijo, mais buracos, logo quanto mais queijo, menos queijo”. Quanto mais conhecimento obtemos, mais lacunas aparecem, e mais dúvidas surgem. E naturalmente, a curiosidade humana não deixa por menos. Só que o problema não está em ser curioso e querer obter respostas. O problema está em tomar atitudes sem ao menos obtê-las.
bdbzdfdzA tecnologia certamente facilita nossa vida em espantosa proporção. E ela está tão bem infiltrada em nosso cotidiano, que nem mais percebemo-la como algo de extraordinário. A lâmpada, que seria uma maravilha no século XIX, ou o celular, que seria considerado bruxaria na Idade Média, é hoje algo tão comum quanto o ar ou a água. Isto tudo é bom, pode-se até dizer que em certo ponto, foi necessária a criação de tais objetos. Mas atualmente, no século XXI, a ciência e tecnologia parecem que deram um pulo enorme dos objetos necessários ao cotidiano para processos delicadíssimos, e nem sempre, éticos. Um exemplo bem atual são as novas pesquisas que visam “criar” bebês geneticamente selecionados, ou seja, bebês pensados e arquitetados pelos seus pais. Os pais escolhem a cor dos olhos, o sexo e ainda, se quiserem, podem adicionar músculos aos seus filhos. Outro exemplo, é a criação de um tipo de televisão capaz de mandar ondas neuro-cerebrais para seus telespectadores, podendo despertar sentidos como o olfato. Estas são descobertas sem dúvida muito avançadas, mas que também podem ser muito bem questionadas. Digo isto, porque acredito que a tecnologia está avançando assustadoramente rápido nos últimos anos. A tecnologia sim, os seres humanos, não. Na verdade, parece que conosco o que está acontecendo é o contrário: estamos em fase de retrocesso. Retrocesso moral, claro.
brgerhehTodos os dias, tirando as tragédias, presenciamos situações absurdas serem consideradas como “normais”. Não vou nem citar como exemplo os assaltos, porque já virou clichê. Talvez, deva citar nossas atitudes robóticas e pré-programadas. Ou ainda nossa falta de senso crítico. Mas não irei fazê-lo, para não prolongar esta discussão. O fato é que, nossa razão que era o fator essencial que nos diferenciava dos outros animais, está por um fio. Eu não vejo razão, por exemplo, em alguém que mata por algumas cédulas de papel. Também não vejo razão em pessoas que se humilham na frente de um país inteiro para ganhar um prêmio. Não, não vejo razão nessas lástimas. Então, o que estamos nos tornando? Animais irracionais? Seres que fingem ser a civilização quando na verdade somos a ruína da mesma? Ou estamos apenas desorientados com a quantidade de informação que recebemos no dia-a-dia? É uma possibilidade. Quem sabe, até relevante. Mas não é justificativa para atos tenebrosos. Talvez o instinto de sobrevivência que aparentemente tínhamos perdido com o tempo, voltou agora com toda a força. Simplesmente porque nossos centros urbanos não se diferenciam muito do que chamamos de selva. Aliás, não se diferencia grande coisa. Então, naturalmente, o leitor percebe a contradição: “mas se você acabou de falar que nossa tecnologia está nas alturas, como pode afirmar que estamos em fase de retrocesso moral?”. A resposta a esta pergunta é bem simples: estamos sim, adiantados na tecnologia. Sabemos planejá-la, sabemos criá-la. Mas sabemos usá-la? Sim? Bom, irei lembrar ao leitor um fato: 1938, descoberto o processo de fissão nuclear, já citado. Sete anos depois, o desastre de Hiroshima e Nagasaki. O que quero dizer é: temos maturidade para usar o que criamos? Somos capazes de conhecer nossos limites? São perguntas que venho fazendo. E é bem interessante ver a resposta a esta pergunta em meu dia-a-dia quando, por exemplo, eu vejo uma ferramenta virtual que deveria ser utilizada para que tivéssemos nosso espaço de divulgação na internet, sendo usada para humilhar e às vezes até ridicularizar desgraças alheias. É talvez até frustrante saber que não se pode mais cair ao chão ou escorregar tranqüilo em uma poça d’água, sem que no outro dia o seu incidente esteja sendo visto como piada em todo o mundo. Mas este é apenas o menor dos problemas. Eu fico imaginando o que poderia ser feito com uma televisão capaz de influenciar o nosso cérebro. Talvez aí o estrago fosse bem maior.
bsfbsfbsA verdade é que a ética e a tecnologia são como uma criança ingênua e um adulto vivido. A criança olha de baixo, tímida e inferior, porém em fase de desenvolvimento moral, para o adulto. O adulto, olha a criança de cima, robusto e superior, mas com a moralidade perdida. A ética é uma criança em desenvolvimento (ou talvez um Benjamin Button vivendo ao contrário) e a tecnologia, o adulto que não questiona os seus atos e se acha auto-suficiente quando na verdade não o é. Para que continuemos avançando no mesmo ritmo, ou até em um ritmo superior, é preciso que nossa consciência avance também. É preciso que saibamos utilizar com responsabilidade as ferramentas que temos nas mãos. Precisamos saber que a ética vem antes e a tecnologia, depois. Precisamos de reflexão. De pensar e filosofar mais. Ou fazemos isto, ou nadaremos como cegos. Em um mar de tubarões.

domingo, 18 de janeiro de 2009

A série Crepúsculo


[pafdo] O último fenômeno “teen” das telas de cinema e dos livros vem trazendo discussões adversas sobre o motivo de tanto sucesso. Alguns elogiam, usando como justificativa o “ímã” que faz com que o leitor se prenda a história do início ao fim, outros criticam, dizendo que é apenas mais uma febre do mundo jovem que logo irá se dissipar. O fato é que o sucesso desta história de amor com vampiros é incontestável. Mas o que justifica este sucesso?
[pádfo] A paixão de um vampiro por algum humano não é nenhuma novidade para o cinema. Na verdade, a maioria dos filmes que envolvem vampiros possui um dilema como este. Exemplos são Anjos da Noite, A rainha dos condenados etc A diferença, porém, é que nestes filmes nunca o amor entre ambos era o assunto principal. Este dilema era algo mais secundário. Em Crepúsculo, é o tema principal e mais contagiante. Mas é por isso que ele obteve tamanha aceitação? Pode até ser, mas nunca seria o único motivo. Outro aspecto no romance que é incontestável é a veracidade das características das personagens presentes no mesmo. Tão reais que há momentos em que o leitor se esquece que a narrativa é mera ficção. Alguns fãs se envolvem tanto, que acabam se interessando e acreditando realmente na existência de vampiros com as características do livro. As garotas são as que mais se interessam, principalmente porque um dos personagens centrais, Edward Cullen, um vampiro apaixonado, é um jovem romântico e que faz de tudo para agradar sua amada, espécie de jovem que está claramente em extinção. É aí que, em minha opinião, está a fórmula que justifica o assombroso sucesso do livro.
[dpáfo] Não é novidade para ninguém que as últimas gerações perderam quase que totalmente o seu romantismo. Isto está claro em tudo que há ao nosso redor: na atitude juvenil, cada vez mais agressiva e superficial, nas telas de cinema, que exibem cada vez mais comédias fúteis de humor negro, e nos programas de televisão, que também cada vez mais estão adquirindo valor cultural totalmente desprezível. O mundo está se tornando vulgar e obsceno. As pessoas agem mais por conveniência do que por qualquer outra coisa, desprezando os sentimentos e o interior das pessoas ao redor. Resultado disso? Alienação e desespero. Os jovens procuram, mesmo que inconscientemente, sentido no mundo e nas pessoas. E não há nada que faz mais sentido no mundo que o amor. O amor é, sem dúvida, o sentimento mais nobre desse planeta. Pode ser um pouco difícil achar-lo nos homens. Mas neste livro, é o tema central. Todas as ações dos protagonistas são movidas pelo amor. E é o que os jovens mais precisam no momento! Qual foi a última vez em que um filme que envolvia tanto romance foi sucesso de bilheteria? As produções que dão boa margem de lucro hoje em dia são de super-heróis, de guerras nucleares, de agentes secretos. Mas não de amor. E é isso que estamos procurando sentir, em uma busca cega e desesperada.
[pdarfo] Se o amor dos protagonistas não fosse tão intenso e puro, nunca haveria sucesso. Isto é muito raro no momento já que estamos na triste época do prazer instantâneo e unicamente físico. O prazer espiritual é o que ninguém mais se esforça em obter, e ironicamente, o que mais necessitamos e queremos. Se não tivéssemos em tempo tão precário, duvido muito que haveria tanto sucesso do livro, já que seria apenas uma história simples e de um amor comum. Mas infelizmente, não é.
[pdáfo] A mistura do tom descontraído e a vitalidade dos personagens adolescentes no romance, garantem a popularidade entre o público juvenil. Depois, é apenas observar o sentimento e o apelo por ele presente na narração, que o leitor saberá a causa de, em todas as idades, ele está sendo tão bem recebido.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O Desconhecido




Tudo bem, vocês até podem achar o que eu estou preste a dizer insano. Pode fazer sentido para alguns, ou não, tanto faz. Eu tento sempre passar para o papel tudo o que penso, mas vejo que isso é impossível. Vinte e quatro horas do meu dia eu passou pensando, e boa parte desse tempo estou analisando o que vejo. Se pudesse anotar todas as minhas análises, já teria feito um livro com milhares de páginas (uma página para cada dia de vida), incluindo coisas completamente sem nexo. Só que hoje não me veio nada melhor para escrever, então estou passando para o papel uma viagem que fiz.
Estava eu tranqüilamente lendo por esses dias e certos pensamentos me vieram à cabeça. Podem ser delírios, podem ser reais, enfim, não importa. Só que eu tenho o mau hábito de um momento estar completamente feliz, e no outro estar carregando todas as dores do mundo. Todo ser humano já deve ter passado por isso: olha para um lado e vê o inferno, olha para o outro lado e vê o céu. Se eu pudesse, estaria assistindo a todas as ironias que acontecem em nosso mundo, mas vejo que é muito melhor fazer parte disso do que ser apenas espectador. É muito melhor ser ator e platéia, do que ser apenas a platéia. A platéia pode até sentir as emoções do ator, chorar e rir com ele, mas nunca terá a mesma perspectiva da peça que o ator teve. Afinal, é preciso fazer o mesmo esforço, sentir a mesma ânsia, o mesmo nervosismo que o ator sentiu antes de entrar no palco, para ter a mesma satisfação de conseguir ter chegado até ali. Aliás, essa é nossa eterna busca: satisfação. Satisfação muitas vezes aparece como sinônimo de felicidade, ou ao menos como pré-requisito para que a mesma aconteça. Não há alguém que é feliz sem ter a satisfação de viver, e nem alguém que tem a satisfação de viver sem se considerar feliz. Mas voltando aos meus pensamentos, lembro-me de que uma simples idéia me levou a ser um ser a parte desse mundo. Essa idéia me deu um pouco, pelo menos por alguns instantes, a perspectiva da platéia. A idéia é “o ser humano teme o desconhecido”. Lendo superficialmente, parece apenas uma frase boba, ou até algo óbvio. Por que muitos de nós temem o escuro, por exemplo? Se a razão não for algum trauma, certamente é esse conceito que nós achamos óbvio: o desconhecido. Você já parou para pensar no quanto esse nosso temor nos é freqüente? No quanto ele nos limita? Muitas pessoas não saem para lugares diferentes porque não os conhece. Sempre vai aos mesmos lugares, criando uma rotina que não acaba mais. Ao mesmo tempo ela perde a oportunidade de conhecer lugares novos, bacanas. Mas não para por aí. O nosso maior medo é encarar pessoas estranhas. Raramente vamos para algum lugar sem ter companhia, alguém que nós conhecemos bem. Raramente vamos ao cinema ver algum filme que ninguém nos indicou, ou que não foi bem comentado pela crítica. Além de perdermos a oportunidade de assistir a um filme até então desconhecido, perdemos a oportunidade de aguçar nosso senso crítico sendo o primeiro a fazer uma crítica a um filme que pode ou não ter sido bom. Afinal, tudo na vida nós só podemos julgar se é bom, se temos a noção do que é ruim. Só conhecemos o bem, se conhecermos o mal. Se o mal não existisse, o bem também não poderia existir. Sempre é necessário que exista o oposto, e prova disso é nossa composição. Em nossos átomos, temos os prótons, mas para total equilíbrio, também temos os elétrons. Temos a noite e o dia, homem e mulher, céu e terra, dor e alegria, enfim, a vida é feita de opostos.

O desconhecido, porém, é um oposto que mais intriga. Simplesmente porque sabemos que mesmo que o dia se torne noite, esta noite depois se tornará dia novamente. Não é o que acontece com o desconhecido. O desconhecido, se um dia ele é desvendado, nunca mais será desconhecido. Ele perde completamente seu mistério. Só que para ser desvendado, é preciso que alguém tenha a ousadia para pesquisá-lo. E talvez seja por isso que nosso mundo está tão atrasado em encontrar respostas para as perguntas mais básicas que todo ser humano já fez um dia. Do tipo: quem somos nós? De onde viemos? Para que estamos vivos? Somos mesmo todos iguais? Eu sei que é clichê. Mas apesar disso, quem ainda tem respostas concretas? Nada temos, se não afirmações sem provas. O argumento de todo mundo é que isso nunca terá resposta. Mas acredito que essa é a desculpa de todos que não querem se esforçar para pensar nisso. No capitalismo mesmo isso acontece muito: um operário trabalha para um patrão, que vive do trabalho do operário, mas ele é quem manda. Quando alguém questiona essa atitude, vem sempre um dizer que há certas coisas que sempre serão as mesmas.Tudo isso é preguiça de pensar em uma resposta. Não queremos dedicar o nosso tempo com perguntas complexas, vamos deixar esse trabalho aos sábios. Esquecemo-nos de que os sábios vêm de nós. Não são outros seres, são humanos como nós. Muitas vezes preferimos pensar e dedicar tempo a que roupa iremos usar amanhã na festa, do que pensar em ajudar outros a ter motivos para fazerem uma festa. Tem pessoas no mundo que talvez nem saibam o que é uma festa. Mas isso é mais uma daquelas coisas que costumamos dizer que serão sempre as mesmas. Queremos ser iguais a todo mundo, temendo ser algo desconhecido. Temendo ousar. O desconhecido parece que foi um conceito que nasceu para ser temido. Não sabemos se é bom, não sabemos se é ruim. Só que também nunca saberemos se continuarmos sem desvendá-lo. Como um homem irá saber que a mulher dirá não ao seu convite para jantar se ele nunca perguntar? Esse é o ponto.
Bom, eu não conheço a experiência de cada um com o desconhecido. Mas sei que quem tem a ousadia para questioná-lo, para enfrentá-lo tem tudo para resolver os piores problemas. Ninguém pode fugir dele. Então ou o enfrentamos, ou deixamos ser engolidos por ele. A humanidade até então mais foi engolida do que o enfrentou. Nem sempre é através da tecnologia que se descobre os maiores segredos do mundo. Basta olhar para nós mesmos. Porque cada um de nós carrega dentro de si o segredo do Universo. Só que por enquanto, esse segredo é desconhecido. E continuará sendo enquanto o temermos. Se somos capazes de desvendá-lo ou não, o mundo está aí para nós testar. Será que somos capazes de passar no teste? Será que ainda há tempo de passarmos no teste?

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O desaparecer de uma rotina

Foi na última chuvarada do ano, e a noite estava preta. O homem estava em casa, chegara tarde, exausto e molhado, depois de uma viagem de ônibus mortificante, e comera, sem prazer, uma comida fria. Vestiu pijama e ligou o rádio estava ruim, roncando e estalando. Mexeu e mexeu, mais nada conseguiu melhorar o rádio, continuava ruim, como sempre.
Sua mulher desceu as escadas do quarto e o sem muita reação. Era sempre a mesma rotina: ele viaja, ela fica em casa, ele volta, ela o cumprimenta e pouco conversam, muito menos trocam afetos, era sempre isso. Não se cansavam e não queriam parar. O tempo foi passando e continuou assim. Até que, na sua última viagem ele demorou mais, não ligou, não deu notícias, fazendo com que sua mulher comece a se preocupar.
Isso para se passavam e ele não aparecia. Ela começou a se desesperar. Não queria perdê-lo , não podia. Ela tinha uma rotina e se recusava a quebrá-la. Ela precisa daquilo não podia ficar sem.
Os dias se passavam. Cada hora um longo período, cada dia uma eternidade. Parece que sua vida tinha se tornado outra rotina. Essa era a rotina de esperar. Não conseguia, não agüentava mais. Precisava daquilo, precisava dele, por mais que seu olhar profundo e frio a perturbasse, não conseguia ficar sem ele. Aquela mesmice tinha se tornado um hábito ou até uma obsessão.
A casa estava vazia. Apenas cortava o silêncio o barulho dos pingos da chuva caindo sobre a janela. Estava frio e escuro. Nuvens cinzas manchavam o azul do céu como fumaças negras de um grande incêndio. E ela estava lá, sozinha com seus pensamentos, pensamentos obscuros, confusos, sem sentido. Num intervalo de tempo que ela seria incapaz de especificar, abafando o barulho da chuva, e interrompendo pensamentos ouviu-se o bater da porta.
Por um momento pensou que esse barulho tivesse sido criado por sua mente, depois caiu em si e verificou que aquilo não era mera ilusão. Era totalmente real. Suas mãos congelaram, seu corpo estremeceu. Ela olhou as escadas com um olhar assustado, apavorante. Não sabia se isso era medo de enfrentar o que passara por aquela porta, ou se era medo de encará-lo apenas. Pensou em fugir, deixar tudo para trás e esquecer o que aconteceu. Mas não podia, não conseguia. Acabar com aquilo, era acabar com sua vida, sua rotina.
Com as mãos firmes e uma força inimaginável ela desceu as escadas. Estufou o peito, olhou para frente e lá estava ele. A mesma expressão, o mesmo olhar apesar de cansado e enrugado, estava lá, como se nada tivesse acontecido. Agora ela não sentia mais medo e sim raiva, raiva quando viu que tudo poderia ter sido diferente, as coisas poderiam estar melhores mais não. Estavam ali os dois parados sem reação. Naquele momento teve vontade de gritar, de dizer bem alto "A culpa é sua! Sua! Sempre foi!". Naquele instante uma névoa se dissipava de seus corações.

(crônica criada quando eu tinha 14 anos. Por isso vejam com bons olhos!)