quinta-feira, 24 de março de 2011

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"Não posso evitar o ódio que os meus pensamentos têm a acabar seja o que for; uma coisa simples suscita dez mil pensamentos, e destes dez mil pensamentos brotam dez mil interassociações, e não tenho força de vontade para os eliminar ou deter, nem para os reunir num só pensamento central em que se percam os pormenores sem importância mas a eles associados. Perpassam dentro de mim; não são pensamentos meus, mas sim pensamentos que passam através de mim. Não pondero, sonho; não estou inspirado, deliro. Sei pintar mas nunca pintei, sei compor música, mas nunca compus. Estranhas concepções em três artes, belos voos de imaginação acariciam-me o cérebro; mas deixo-os ali dormitar até que morrem, pois falta-me poder para lhes dar corpo, para os converter em coisas do mundo externo.

O meu carácter é tal que detesto o começo e o fim das coisas, pois são pontos definidos. Aflige-me a ideia de se encontrar uma solução para os mais altos, mais nobres, problemas da ciência, da filosofia; a ideia que algo possa ser determinado por Deus ou pelo mundo enche-me de horror. Que as coisas mais momentosas se concretizem, que um dia os homens venham todos a ser felizes, que se encontre uma solução para os males da sociedade, mesmo na sua concepção - enfurece-me. E, contudo, não sou mau nem cruel; sou louco, e isso duma forma difícil de conceber".

Fernando Pessoa

segunda-feira, 7 de março de 2011

Dor



Como as vezes ela pode ser tão forte?


As pessoas se acham muito espertas, muito perceptivas. Elas acham que conseguem decifrar a alma de outra pessoa apenas convivendo com ela. Mas isso não é verdade. Pouquíssimas são as pessoas que me conhecem bem, menos ainda são as pessoas que conhecem minha alma. Quando estou sofrendo, quando estou extremamente triste, é impressionante como ninguém percebe. Ajo normalmente e ninguém vê o que está acontecendo dentro de mim. Não sei se isso é bom ou ruim. Não sei se ser uma pessoa que guarda tanto os seus sentimentos quanto a mim é bom. Mas eu praticamente fui educada a ser assim. Cresci não querendo fazer sofrer as pessoas que eu amava, então sempre escondi o meu sofrimento para não machucá-las. Mas agora eu fico me perguntado se eu, sozinha, aguento tudo o que está pertubando o meu coração e gritando em minha mente. É possível alguém ser capaz de segurar uma dor tão forte dentro dela mesmo durante quanto tempo? É possível fingir que está tudo bem durante quanto tempo? Durante quanto tempo....

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Etc.............

Nada é tão comum do que ser diferente.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

E assim é o amor


- Você nunca vai me amar.

- Nunca diga nunca.

- Não vou esperar por você.

- Então você não me ama de verdade.

- Não é essa a questão. Ficar em um ponto esperando um ônibus que você tem certeza que passa nele é diferente de ficar em um ponto que você não sabe se o ônibus vai passar. No primeiro caso, você pode ficar esperando 5, 10 minutos ou até horas, mas você tem certeza que uma hora ele vai chegar. Porém no segundo caso você pode ficar o mesmo tempo esperando e mesmo assim pode ser que ele nunca passe. E ainda mais eu, não tenho todo o tempo do mundo. A vida é frágil. Vulnerável. Posso morrer a qualquer momento. E se eu morrer com um amor não correspondido... não posso dizer que minha vida valeu a pena.

- Você sabe que eu nunca prometi nada a você. Sempre fui franco. Você sempre soube que minha visão sobre o amor nunca foi das melhores e mais esperançosas.

- Mas mesmo assim você me deu esperanças. Retribuiu meus olhares, meus afetos. Me ouviu, me aconselhou, me disse palavras doces. Como queria que eu não considerasse a possibilidade de estar sendo amada?

- Eu deixei rolar, só isso. Talvez subconscientemente eu também tenha esperanças de que um dia eu consiga amar alguém verdadeiramente. Mas por enquanto isso não vai acontecer.

- Então é como eu disse. Não vou te esperar. Sei que não vou deixar de amar você porque o amor quando é verdadeiro é infinito, mas também não vou fechar o meu coração. Vou deixar outras pessoas entrarem.

- Eu também não quero te impedir de ser feliz com outras pessoas. Só não queria perder contato, posso não gostar de você da forma que você queria que eu gostasse, mas apesar disso você é especial para mim.

- Não é bom para mim conviver com você e alimentar este amor, mas posso tentar por um tempo. Talvez até sobreviver a isso.

- Eu gostaria que você tentasse.

- Eu gostaria que eu conseguisse.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Superação e renovação..........

É tudo o que agente precisa para encarar essa vida. Superar nossas frustações que sempre surgirão e ficar preparado para novas que estão por vir. Depois que agente supera agente renova nossas energias e nós mesmos. Continuar sempre o mesmo é o que nos faz cometer sempre os mesmos erros.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Somente um ponto de vista...

Um relacionamento para a mulher é igual a : DÚVIDA.

Os homens não se preocupam muito em cultivar um relacionamento, apenas na fase da conquista que eles procuram conhecer mais a mulher, depois que já estão juntos eles somente deixam rolar, não se preocupam em saber qual o tipo de relacionamento em que estão, se estão indo bem, o que pode fazer para melhorar, para eles enquanto estiver durando está bom. As mulheres são ao contrário, elas gostam de cuidar do relacionamento como se ele fosse uma plantinha que deve ser regada todos os dias, elas querem saber exatamente o tipo de relacionamento em que estão, se está tudo bem, o que elas podem fazer para torná-lo melhor, enfim... por isso que as vezes um relacionamento simplesmente acaba e a mulher nem se dá conta. O homem começa a dar várias desculpas para não vê-la e ela apenas fica sem saber o que está acontecendo. Por isso o relacionamento para a mulher é igual a dúvida, porque ela quer saber se está tudo bem, mas não tem o controle sobre isso, se ontem o homem disse que a ama, ela quer saber se hoje ele continua amando, mas nem tudo é tão claro assim, e mesmo se ele dizer que a continua amando, ela continua duvidando porque é muito mais difícil uma mulher confiar em um homem do que um homem confiar numa mulher.
[parg]Homens são mais imediatistas, e as mulheres ao contrário, são mais fixas. Quando acaba um relacionamento elas acham que o fracasso é delas, e não dividem a culpa com o companheiro. E isso também vem de nossa cultura, porque geralmente, até nos tempos que as mulheres eram obrigadas a casar e tudo mais, sempre quando o homem traía, quando o casamento ia mal, enfim, qualquer coisa que fizesse as coisas desandarem, era sempre a mulher a culpada. Se o homem traiu foi porque a mulher não o satisfez de forma completa, se o casamento estava indo mal, é porque a mulher que não estava se esforçando o bastante. Então até hoje temos muito dessa cultura de que tudo o que acontece em um relacionamento é por causa da mulher. É um peso muito grande que fica em nossos ombros, nem sempre agente aguenta, então acaba que nós mulheres ficamos com a fama de ser a mais "fraca" de ser a mais "chorona" e tantos outros adjetivos que tentam nos definir. Mas ao contrário, acho que somos muito fortes para aguentar isso em tantos relacionamentos que vivemos durante a vida e ainda no final talvez, conseguir se fixar em apenas um, fazer com que um deles dê certo. Mas isso realmente não depende só de nós, então... o que fazer é nada mais nada menos do que ser nós mesmas em tudo que vivermos.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sofrer e Amar

Autora: Jéssica Laudares

Nada que possa me impedir agora
de ser completa no amor que me define
Quando chega ao fim as alegrias simplórias
o que começa é o que vale, no papel se imprime

A beleza do amor se encontra no sofrimento
quando o coração bate e parece que vai explodir
e olho em seus olhos, que mais belo contentamento
e dor que se sente quando não mais se está aqui

Por isso é que sofro e por isso que amo
mais vale ser infeliz no encanto
do que fingir ser alegre e não ter a quem adorar

Por tudo quanto oro, na verdade e no engano
Ser feliz neste amor cigano
Sofrer e morrer, sofrer e amar

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Viva sua vida agora!




[parg]Eu acho que a vida de adulto é mesmo muito complicada e cheia de compromissos, mas sabe que eu acho que ela é interessante o bastante ao ponto de valer a pena? Eu vejo tantas e tantas pessoas se lamentando e dizendo que queriam voltar a infância, sei lá, aproveitar melhor o que não viveu, mas pra quê? A infância realmente é uma fase linda, de aprendizado, nada de preocupações, chateações, problemas amorosos, mas e aí? Nessa fase que grande contribuição você pode dar para o mundo que não envolva apenas sentimentos bons nas pessoas? Quando digo contribuição estou me referindo ao meio científico, ao meio acadêmico, ao meio artístico, enfim, tudo que se refere a trabalho duro e estudo pesado. Pra mim a maior diferença que nós fazemos no mundo é agora, este é o momento de atitude, este é o momento de dar uma verdadeira contribuição, porque agora, pelo menos na teoria, temos mais consciência de nossa estada na Terra, de nossa existência perante toda a humanidade e o que podemos fazer para deixá-la melhor, ou não. O fato é pra quê perder tempo se lamentando por algo que já passou faz tempo e não aproveitar tudo o que temos na mão agora, todo o nosso poder de mudança?

[parg]Na infância somos cheios de limitações, além do pouco conhecimento, são várias as coisas que não podemos fazer sem autorização e isso acaba nos limitando muito. Eu lembro de algo que me deixava nervosíssima quando eu era menor que era o fato das pessoas olharem apenas a minha idade para declarar a minha maturidade e capacidade de entendimento e compreensão das coisas do mundo, isso me deixava doida porque eu sabia que apenas um número não diz o que você conhece, o que você compreende, mas sim toda a experiência que você viveu até esse mesmo número. Mas quando você é apenas uma criança ninguém ouve suas palavras, percebe que há algo atrás delas e tenta decifrá-las, quando você é criança, as pessoas acham que tudo o que você fala é superficial, é vazio, não tem nada por trás. Quando percebi isso na infância, deixei de falar. Passei a escrever. Na escrita qualquer um consegue expressar absolutamente tudo o que sente e da forma mais coerente o possível, claro que também depende da disposição e interpretação da pessoa que lê, mas é bem mais fácil ser entendido dessa forma, na escrita.
[parg]É claro que mesmo assim eu também não fui totalmente aceita, algumas pessoas não acreditaram que era eu quem escrevia os textos, mas enfim... Agora como adulta que sou, as pessoas me ouvem um pouquinho mais, não totalmente claro, já que os números de anos ainda pesam e os meus números são bem baixinhos ainda... Não que eu queira ficar mais velha rápido. O que eu queria é que as pessoas levassem isso em menos consideração. Um exemplo fantástico disso é a empresa na qual eu trabalho, que os funcionários são promovidos não por tempo de empresa, mas sim por produção, por resultados. Bem, na verdade o que eu quis dizer com esse texto todo é o seguinte: o tempo ideal, o tempo que devemos estar vivendo, é o tempo de agora. Não a infância, não a adolescência, não a meia idade, não a velhice. Mas o tempo que você está vivendo agora, seja ele qual for.

[parg]Nada de querer voltar, as possibilidades de agora são muito maiores. Porque é agora que você está vivendo, é agora que você tem o poder nas mãos. Você não tem o poder do passado, apenas do presente e é com ele que você constrói o futuro. Veja bem, o que eu mais acho interessante no filme Efeito Borboleta, é justamente o fato de um pequeno detalhe que o protagonista muda em sua vida a torna totalmente diferente, e eu acho que na vida de todos seria o mesmo, um pequeniníssimo detalhe mudaria o rumo de nossas vidas, então pra quê voltar atrás e mudar tudo o que você já conhece, tudo o que você construiu conscientemente? Você até poderia fazer outras escolhar que julgasse mais corretas do que as escolhas que fez, mas se você fizesse isso, acha que continuaria com a sabedoria que adquiriu com o seu erro? Você poderia ser uma pessoa totalmente diferente do que é, mas a probabilidade maior é de ser uma pessoa com menos sabedoria, pois não teria cometido erro algum, e é isso o que nos constrói, é isso que forma nosso caráter. Então como estamos na semana do ano novo, é esta a mensagem que eu quero deixar para todos: viva o momento. Viva ele AGORA.
[parg]Estou dizendo tudo isso porque sou uma pessoa apaixonada pela vida e não poderia ser diferente, pois ela é mesmo maravilhosa, tudo o que acontece, acontece no momento certo, na hora que deveria acontecer, como se ela já estivesse definida, mas na verdade quem a guia somos nós mesmos. Depende de nós sermos bons guias e traçarmos os caminhos certos.
Abraços.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

É tempo de... ter tempo


[parag]Sem querer ser clichê e dizer porque é Natal estamos em fase de renovação, união etc etc etc Apenas digo que podemos aproveitar esse clima diferente que surge no final do ano para ter um pouquinho mais de tempo para nós, para a família e amigos, já que isso está se tornando algo cada vez mais raro no nosso dia-a-dia. Geralmente o que acontece nessas épocas é a correria total, comprar presente para o amigo oculto, para fulano, sicrano, comprar enfeites, enfeitar a árvore, pensar no que vai ser preparado de refeição no dia X, é tanta coisa que ao invés de conseguirmos mais tempo para dedicarmos as pessoas que amamos, acaba que nós ficamos cheios de coisa para fazer, e acontece então a mesmíssima coisa que acontece conosco o resto do ano: a falta de tempo.

[parag]Outro dia, há alguns meses atrás, eu fiquei impressionada, pois moro em Belo Horizonte e ouvi um especialista dizer que em 10 anos (não tenho certeza se foi mesmo esse o número) o trânsito aqui em BH seria o mesmo de São Paulo. Já viajei para lá e uauuuu que pesadelo que são aquelas ruas. E olha que lá tem muitos mêtros, para quem já veio ou mora aqui em BH sabe que agente quase não usa metrô. Simplesmente porque o número de estações são escassas. O metrô daqui deve ter aproximadamente umas 12 estações, no máximo. Enfim, não serve pra nada. O que ocorre é que eu nem acreditei nesses números, achei meio difícil isso acontecer tão rapidamente, mas hoje posso dizer tranquilamente o seguinte: quebrei a cara. Não digo que o especialista estava certo, porque não estava, isso certamente vai acontecer num tempo beemmm menor que 10 anos, se já não está acontecendo. Estou dizendo isso agora porque antes eu não pegava tanto ônibus quanto pego atualmente, afinal no momento isso faz parte do meu trabalho, então todo dia devo pegar aproximadamente umas 3 ou 4 linhas de ônibus, tanto para dentro de belo horizonte quanto para a região metropolitana, o que me faz ter uma vivência muito real da situação do trânsito aqui em BH. Primeiro, todos os horários (de manhã, de tarde e de noite) os ônibus estão cheios. É um sufoco para achar um lugarzinho para sentar. Segundo, o tráfego. Antes engarrafamento era mais comum apenas no centro, agora as regiãos que estão com esse problema são inúmeras: avenida dom pedro II, avenida raja gabaglia, Savassi, Pampulha... Hunnf

[parag]Há algum tempo atrás eu diria veemente que nunca me mudaria para São Paulo justamente por causa desse problema no trafégo. Agora, não digo isso mais com tanta veemencia. Mas eu também não duvido que isso esteja acontecendo em grande parte das cidades metrópoles do Brasil (se é que posso chamar Belo Horizonte assim, porque pra quem mora em SP ou RJ aqui ainda é roça hahaha), afinal o carro virou algo mais popular e acessível. Quem tem a oportunidade de comprar não a perde. Uma solução que talvez melhoraria essa situação, pelo menos um pouquinho, seria a ampliação do mêtro daqui de Belo Horizonte, que como eu já havia dito, não serve pra nada. Outra solução, que até a prefeitura já está tomando providências, seria a ampliação dos viadultos. Mais uma seria deixar de ser preguiçoso e andar a pé ou de bicicleta quando possível. Afinal, sejamos sinceros a preguiça em ir a pé para lugares a 10, 15 ou 20 minutos de casa também está se proliferando. Os motivos são variados. Mas isso é assunto para outro post. Hehe


Feliz Natal a todos!!! Abraços insanos!!!


sábado, 11 de dezembro de 2010

Voltando a ativa... e com muito gás (falando sobre telemarketing)


pppBom, essa deve ser a quinta ou sexta vez que eu começo um blog e o deixo pela metade, devo confessar. O que sempre acontece é que eu fico sem tempo ou sem internet por algum motivo. Desta vez, foi a segunda opção. A internet que possuo em casa é a wireless, e não sei se isso é ou não uma características desse tipo de conexão sem fio, mas o que acontece é que ela sempre some e fica dias, semanas, às vezes até meses sem funcionar. É claro que você deve estar pensando: "Uau, mas você não toma nenhuma atitude com relação a isso?" Não vou dizer que sou das pessoas mais acaloradas para resolver esse tipo de situação, mas tentar já tentei e não consegui... O que ocorre é que o suporte a banda larga de minha operadora é péssimo. E acredito que não só a minha, mas de todas as operadoras disponíveis em território nacional. Só que o problema não é só com o serviço de internet, que também é uma mer** (com o perdão da palavra), mas também a única pessoa disponível para te ajudar nessas horas de falha: o operador de telemarketing. Ajudar vírgula, porque nos call centers a desinformação com relação ao serviço é tanta, mas tanta, que a chance de você resolver o seu problema na primeira vez que ligar é menor do que 50%. Tudo depende de sorte: de você cair com um operador que realmente está lá pra trabalhar (que corresponde a mais ou menos 20% dos contratados) e desse mesmo operador ter o conhecimento necessário para resolver o seu problema (pois é, a probabilidade cai para uns 10% ou menos).
pppO que quero dizer com isso é que aqui no Brasil todos os problemas referentes a telefonia e internet, que precisam de um suporte via telefone, são dificilmente resolvidos por esse mesmo meio. Mas a culpa disso não é do operador de telemarketing que não quer trabalhar, como a maioria das pessoas pensam. A culpa é das condições de trabalho que esse operador tem que enfrentar no dia-a-dia profissional. Primeiro, a desvalorização deste tipo de emprego, que é visto pelas pessoas como última opção empregatícia, elas acham que uma pessoa só trabalha nisso porque não é qualificada para outros tipos de emprego (vejam bem, não estou dizendo que não é verdade); segundo, o salário baixíssimo, como se não bastasse geralmente ser um salário mínimo, quando o mesmo sofre reajuste nacional, o salário do operador de telemarkentig é o último a ser reajustado (demora meses depois do reajuste); terceiro, a falta de educação e o jeito presunçoso do brasileiro que faz esse tipo de profissional ter de aguentar desaforos e xingamentos todos os dias, muitas vezes causando depressão e problemas psicológicos; e por último, não basta o próprio trabalho ser cansativo, a própria estrutura das empresas de call center contribuem para a fadiga do profissional: o ar-condicionado que sempre está ligado em temperatura muita baixa devido aos computadores ligados, o que faz grande parte deles terem constantemente inflamação na garganta, crise de sinusite, gripe e problemas respiratórios em geral; o uso diário do headset que gera dores de ouvido, inflamação e às vezes calo atrás das orelhas; o uso direto do computador, que causa problemas na visão, nas articulações dos dedos, nos músculos, nos braços, na coluna... Enfim o número de doenças e incômodos que o operador de telemarketing pode ter são inúmeros. E mesmo assim, ele tem que estar sempre alegre e bem disposto a atender o pior tipo de cliente: o grosso, o mal educado, o egoísta, o dono da razão etc ppppppppppppppppppppppAgora a pergunta que não quer calar é: Como as empresas querem que esse profissional preste um atendimento de qualidade se todos os dias ele tem que encarar essas condições? Não vejo uma resposta clara e justa. Fico pensando uma forma de solucionar o problema, mas não vejo outra senão revolucionar o suporte pós-venda. Não adianta a Anatel (órgão responsável pelos serviços de telecomunicações) aplicar leis mais rígidas às empresas de telefonia porque isso só faz com que a pressão sobre os operadores seja maior, o que causa maior queda na qualidade do atendimento. O que é preciso melhorar são as condições desse trabalhador.
pppUm profissional mais feliz é aquele que vai querer prestar um atendimento de qualidade, o que não é o caso atualmente. Se você ganha mal, tem um trabalho cansativo, vive ouvindo desaforos que mexe com o seu psicológico, como vai conseguir gostar do que faz e fazer um bom trabalho? Uma vez eu li em um texto que agente não deve fazer o que gosta, mas sim gostar do que faz. Não cabe a mim julgar se isso é verdade ou não, mas o que posso dizer é o seguinte: pra gostar do que faz você tem que ter um emprego que te respeita (no sentido de que não te deixa exposto a tantos riscos e ainda te exige que trabalhe bem). Não é o caso do telemarkenting.


Obs: Sim, eu já fui operadora. Nunca saí de um lugar tão aliviada. Foi um adeus a dores de cabeça e ao estresse diário.